Depois de anos associada quase exclusivamente à escala e à presença urbana, a mídia OOH passa a ser avaliada por critérios mais complexos: capacidade de influência, integração com dados, impacto mensurável e coerência com o ambiente social das cidades
O meio amadurece em um momento em que marcas enfrentam um cenário de atenção fragmentada, desconfiança em ambientes digitais e saturação de mensagens automatizadas.
Para Chico Preto, CEO da CHICOOH+, esse novo ciclo é impulsionado por fatores convergentes: a digitalização acelerada amplia as possibilidades criativas e operacionais do DOOH, enquanto o avanço da IA e da compra programática reposiciona o meio dentro do planejamento de Marketing.
Ao mesmo tempo, cresce a pressão por práticas sustentáveis e por experiências menos invasivas, mais contextualizadas e alinhadas ao cotidiano urbano. Nesse contexto de maturidade, convergência tecnológica e revisão de papéis, o setor passa a redefinir sua função dentro do ecossistema publicitário, disputando espaço estratégico com plataformas digitais, Retail Media e, agora, com a própria televisão conectada.
Veja, a seguir, oito tendências analisadas por Chico que devem moldar esse novo capítulo da mídia exterior ao longo do ano.
Retail media e convergência físico-digital
O Retail Media se firma como uma das maiores oportunidades de integração entre o digital e o físico. Ao se aproximar do momento da compra, a mídia exterior amplia sua relevância na jornada do consumidor. Em 2026, a convergência entre OOH, dados e comportamento se intensifica, com campanhas que se adaptam em tempo real ao fluxo urbano, ao clima e ao contexto social, reforçando a presença da marca no ponto de decisão.
IA generativa e compra programática
A inteligência artificial generativa e a compra programática aceleram a sofisticação do planejamento e da ativação em OOH. Algoritmos passam a interpretar padrões de deslocamento, perfis de público e características culturais locais, permitindo campanhas mais precisas e contextuais. Esse avanço também se reflete na mensuração e na verificação das entregas, ampliando transparência, segurança operacional e eficiência em todo o ecossistema.
Som e experiências multissensoriais
O som ganha protagonismo no diálogo entre o físico e o digital. Plataformas de streaming, marcas de varejo e empresas de tecnologia ampliam seus ecossistemas de Retail Media ao integrar áudio e mídia exterior. Experiências que combinam som e imagem, como ativações sincronizadas por geolocalização ou o uso de som direcional, apontam para um OOH mais imersivo, envolvente e alinhado ao ambiente urbano.
Sustentabilidade e o legado da COP 30
O ano de 2025 deixou um marco importante para a comunicação ambiental com a realização da COP 30 em Belém. Em 2026, esse legado se traduz em ações concretas. Mobiliário urbano alimentado por energia solar, compensação de carbono e projetos de revitalização de espaços públicos passam a integrar o novo padrão da mídia exterior, consolidando a sustentabilidade como prática estrutural do setor.
A TV 3.0 e a nova era das telas
A chegada da TV 3.0 ao Brasil inaugura uma nova fase de convergência entre o ambiente doméstico e o urbano. O novo padrão, baseado no sistema DTV+, traz avanços como imagem em 4K, áudio imersivo, interatividade e transmissão de dados. Essa evolução aproxima a TV conectada do DOOH, abrindo espaço para campanhas sincronizadas entre a tela de casa e a tela da rua, ampliando alcance, mensuração e possibilidades criativas.
Digitalização e métricas em tempo real
Os investimentos globais confirmam a transição digital do setor. O DOOH deve representar cerca de 36% de todo o investimento mundial em OOH até o fim de 2026. No Brasil, essa digitalização acontece de forma equilibrada, unindo automação, dados e métricas em tempo real à construção de relações de confiança. A mídia exterior consolida seu papel como um meio mensurável, relevante e integrado à dinâmica das cidades.
