Delegar à inteligência artificial todo o processo de compras online, da escolha dos produtos à finalização do pagamento, é um comportamento cada vez mais comum
40% dos consumidores brasileiros ouvidos na pesquisa Agentic AI Report afirmam estar dispostos a permitir que sistemas de IA selecionem e concluam compras em seu nome.
Este padrão coloca o Brasil entre os países com maior potencial de adoção do chamado comércio agêntico. A aceitação é mais elevada em transações consideradas de baixo risco e alta recorrência, como tarifas de transporte público, pagamento de contas de serviços essenciais e compras básicas de supermercado
Ao analisar os fatores que impulsionam o interesse pela nova geração de IA, o estudo mostra que o principal motivador entre os brasileiros é a percepção de equilíbrio entre custo e benefício, citada por 71% dos entrevistados. Em seguida aparecem a expectativa de preços mais baixos, mencionada por 67%, e ganhos de eficiência, associados a atributos como rapidez e conveniência, apontados por 60%.
A personalização também surge como fator relevante, com 53%, indicando que a adoção não está relacionada apenas à economia, mas à busca por experiências digitais mais inteligentes e adaptadas às preferências individuais.
Apesar da abertura ao uso da tecnologia, questões relacionadas à segurança e ao controle permanecem centrais. No Brasil, 95% dos entrevistados demonstram algum nível de preocupação com riscos como compras não autorizadas, decisões equivocadas, perda de controle financeiro e fraude.
Apenas 5% afirmam não ter qualquer receio. A necessidade de manter algum grau de supervisão também é expressiva: 54% consideram importante revisar as compras antes da decisão final.
O Brasil em comparação a outros mercados
Em mercados como Reino Unido e Estados Unidos, a exigência por controle aparece em patamares semelhantes, com 66% e 63%, respectivamente. A China apresenta um comportamento distinto: apenas 37% demandam esse nível de supervisão, enquanto 55% se dizem confortáveis em permitir que a IA opere com base em regras previamente definidas. Na Austrália, há maior tolerância a um funcionamento quase autônomo após a configuração inicial, cenário citado por 11% dos consumidores.
Entre os elementos capazes de fortalecer a confiança no uso de agentes de IA, o acesso a suporte humano e a alertas em tempo real aparecem como os mais relevantes, ambos mencionados por 51% dos entrevistados. A proteção contra fraudes é considerada essencial por 64%, seguida pela possibilidade de cancelar transações em até 24 horas, com 57%, e pela revisão das compras antes da conclusão, com 54%.
O relatório também aponta diferenças de gênero no mercado brasileiro. Ao contrário do observado na maioria dos países analisados, as mulheres demonstram maior abertura ao uso de Inteligência Artificial para compras. No Brasil, 46% das consumidoras aceitariam que a IA realizasse aquisições em seu nome, frente a 35% dos homens. O dado indica uma particularidade do mercado local e sugere oportunidades para o desenvolvimento de soluções que dialoguem com um público mais diverso.
