por Bruno Jotta
Muitos funcionários e empresários já devem ter vivenciado em treinamentos e aulas sobre planejamento e liderança, a famosa analogia da queda do avião, uma história desafiadora, bem construída e conceituada que diz o seguinte:
Imagine-se como tripulante ou passageiro de um vôo com cem pessoas nas mesmas condições suas, que ao sobrevoar o deserto do Saara sofre uma pane nas duas turbinas e cai, vitimando noventa passageiros e apenas você e mais nove pessoas tiveram a felicidade de sobreviver.
O cenário é de desastre, pânico e falta de consciência prática (como na maioria das organizações, quando um problema grave acontece).
E então surge o desafio. Não obstante a ter sobrevivido ao acidente, você se depara com diversos materiais e na postura de líder do grupo de sobreviventes, você deverá elencar os materias que sobraram, frente aos destroços, de acordo com a necessidade primária que é: continuar sendo sobrevivente do acidente, ou seja, manter-se vivo.
Aqui, aparece, a maior deficiência das empresas. A falta de estratégia.
O cenário está traçado: eu sofri um impacto e tenho de me manter vivo, comigo estão mais nove pessoas e eu tenho um sobretudo, botas, roupas, cinco litros de água, uma pistola automática, um guarda-chuvas, alimentos enlatados, um mapa, papéis e revistas, um rodo de filme ou papel alumínio, um pente e uma escova de dentes. Qual desses objetos eu concordo e elencaria que fosse o primeiro essencial para a sobrevivência minha e do meu grupo?
Então, na sala de aula, onde essa analogia é aplicada, todos se atentam em elencar, quais materiais seriam primordiais, prioritários, alguns achariam que seria os alimentos, outros, o sobretudo, alguns o mapa, etc. E então elencariam as suas prioridades, uns em tons egoístas, salve-se quem puder a minha vida está garatinda, como muitos líderes em muitas organizações que simplesmente acreditam ser fácil substituir elementos de suas equipes e pensar em sí próprios, outros mais conservadores, que dividiriam os sobreviventes em grupos para elencar as prioridades por tarefas-chave, pois acreditam que a liderança para uma necessidade essencial deve partir do princípio de participação da equipe, enfim.
Contudo, eu comentei que é nessa fase que ocorrem o principal erro das organizações, o que difere as organizações em competitivas e coadjuvantes. A estratégia.
E onde está a estratégia? Quantos pensaram nela? A estratégia seria, acertar qual é o material mais primordial? Não!
Antes de elencar os seus materiais para a sobrevivência sua e de sua equipe, seria necessário pensar antes: – Qual estratégia irei usar? Eu vou ficar com o meu grupo no local da queda e mantê-lo unido até o socorro chegar? Eu vou formar grupos dos menos machucados para ir buscar socorro? Ou seja, duas estratégias possíveis: Ficar? Ou Sair? E daí sim, elencar seus mantimentos primordiais. É aqui que muitos falham.
Ao elencar prioridades das suas tarefas para um objetivo de equipe sem pensar na estratégia, você estará comprometendo o objetivo de todos, não só dos envolidos no acidente (como por exemplo) mas inclusive no da equipe de socorro que viria buscá-lo. Nas empresas é a mesma coisa. Ao concentrar suas forças em elencar prioridades pelo objetivo a ser alcançado sem antes pensar que estratégias irá utilizar, você compromete não somente o seu resultado, mas também de todas as áreas adjuntas à aquele objetivo.
Estratégia é tomar uma decisão antes de se propagar ações e atividades, é planejar o que fazer, como fazer, antes defazer e com o que fazer. Para isso, o bom líder estratégico é aquele que tem no seu perfil o reconhecimento do talento de cada um da sua equipe e formata suas estratégias preservando a vida de cada um deles, e, por cosequência a sua, em prol de um objetivo que não é só daquele grupo, mas sim de toda a organização.
A melhor forma de obter sucesso e formar equipes vencedoras é reconhecendo o perfil de cada um dentro do composto da estratégia. Alguns terão o perfil produtor, outros o influenciador, outros o administrativo, outros o operativo e assim por seguinte e então serão chamados para compor as prioridades, dentro das limitações de cada um, com as ferramentas e materiais que você tiver à disposição.
Trace os perfis, pense a estratégia e divulgue as orientações preservando o que você tem de material à disposição. Esse, certamente, é o que te salvará dos mais diversos “disastres aéreos” nas organizações.
Bruno Jotta
Diretor de relacionamento e sócio-proprietário da RAO Marketeer, graduado em Publicidade e Propaganda, com especializações em Marketing Internacional (Universidade de Coimbra / Portugal), em Trade, Estatística e Controles (Universidade de Roma / Itália), em Comunicação, Publicidade, Propaganda e Marketing (Ohio Unversity/Estados Unidos), pós graduado em Gestão Empresarial ( Fundação Getúlio Vargas /São Paulo).














